O Rei do Camarote: viral orgânico ou campanha de marketing?

Rei do Camarote

Nos último dias uma reportagem da Veja causou um tumulto repentino, sacudindo as Redes Sociais no Brasil. Trata-se da matéria “Os Sultões dos Camarotes”, que detalha como é a rotina noturna de milionários empresários (a maioria deles herdeiros de grandes fortunas) que gastam milhares de reais nas boates e casas de show.

Certamente a reportagem teria uma repercussão menor caso um dos entrevistados não tivesse participado de um vídeo que enumera os dez passos para você se tornar o “Rei do Camarote”. Alexander de Almeida, um rico empresário, lista que providências devem ser tomadas para tal, o que inclui um carro potente, seguranças particulares, convites a celebridades, entre outros. As dicas de ostentação e a honestidade quase infantil de Alexander rapidamente se espalharam pela rede, fazendo com que se tornasse um meme, com milhares de citações, comentários, paródias e acessos a conteúdo relacionado.

Hoje cedo, ouvi uma entrevista com o empresário a Rádio Bandeirantes em que ele diz se tratar de uma brincadeira e que, daqui a algum tempo, todos saberão a verdade. Bom, o que eu tenho a dizer sobre isso é: caso se confirme como uma campanha de marketing viral, será uma das mais bem sucedidas da história da web no Brasil. A fanpage “Agrega Valor ao Camarote” atingiu rapidamente mais de 100 mil seguidores, ao passo em que o vídeo teve mais de 2 milhões de visualizações e saiu da mídia online para tradicionais meios de comunicação, como a TV e o rádio, passando por campanhas de marcas e produtos.

Lembro que isso é algo comum nesse ambiente. Há alguns meses, o socialite Chiquinho Scarpa enterrou seu caríssimo carro Bentley, gerando intensa repercussão na mídia. No dia seguinte, aquilo se revelou uma campanha para doação de órgãos, cujo slogan estampava: ““Absurdo é enterrar algo muito mais valioso do que um Bentley: seus órgãos”. Esse é apenas um exemplo entre muitos, mas foi uma campanha extremamente eficiente, que não apenas arrecadou uma grande quantia, mas também gerou uma reflexão coletiva em parte da população.

Mas seria “O Rei do Camarote” uma jogada de marketing pessoal, uma pegadinha ou haveria uma empresa com interesses lucrativos por detrás? Eu, particularmente, duvido que um dos maiores órgãos de imprensa no país, a Revista Veja, se prestaria a auxiliar (ou ao menos colaborar) com uma matéria com esse objetivo, por questões de credibilidade. Porém, é algo a se refletir, pois existem, por exemplo, diversas casas noturnas citadas na matéria. Esperemos a tal “revelação” prometida por Alexander na entrevista. A piada “agregar valor” é um termo extremamente comum em marketing. E você, o que acha?

Abaixo, o polêmico vídeo:

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